
Ok, mas o que foi aquilo tudo no post anterior? Nada mais do que uma pequena introdução daquilo que nós vamos ver daqui para frente. Para um começo, vamos usar a história de Moisés para ilustrar a grande lição que podemos extrair dela. Vamos sobrepor a história de Moisés ao que vimos sobre a jornada do herói. Embora ela não se encaixe com uma perfeição Hercúlea, ela tem elementos em comum. Vamos começar pelo começo(sic). Se você não viu o post anterior, clique AQUI
O Mundo Comum
A maioria esmagadora das histórias leva o seu personagem, em geral retratado como um personagem comum ao cenário em que ele vive, para fora do seu cenário, lugar comum e cotidiano, em chamado a uma direção estranha , especial e nova.
Para trazer o personagem para fora de seu mundo comum, geralmente o autor descreve como é a sociedade, os costumes, hábitos de alimentação, trabalho, entre outros. Embora isso não seja uma regra nas narrativas bíblicas, pode-se encontrar muito da cultura e religião do local no qual o personagem protagonista vive. A partir dessa narrativa do ambiente social em que o personagem se encontra, é possível então trabalhar no próximo passo, que é retirar o protagonista desse cenário, fazendo assim com que haja um contraste nítido entre o ordinário e o especial. Em Guerra nas Estrelas temos Luke Skywalker, em sua fazenda pacífica, levando uma vida pacata cheia de tédio antes de embarcar em sua aventura contra o Império Galáctico.
Na bíblia, encontramos um fato interessante que narra o mundo na qual Moisés iria se levantar. Israel é apresentado debaixo de opressão, depois de falar de sua entrada no Egito e daqueles que entraram com Jacó (1:1). O capítulo 1 de Êxodo, verso 8, fala de um rei que não conheceu José, o que significa que era um rei que não tinha aliança com José nem com os judeus. Uma nova dinastia se levantou, uma nova família sobe ao trono, e Israel que era aliançado com a outra família que perdeu o poder, perde também a sua liberdade.
O crescimento dos judeus era algo a se notar. Quando entraram havia cerca de 70 pessoas, e quando saíram do Egito 400 anos depois eram pelo menos 2 milhões de judeus. O milagre não está em passar de 70 para 2 milhões e sim na sobrevivência deles.
A mortalidade infantil e as mortes por guerra eram muito grandes, então os judeus não poderiam ter se tornado tão numerosos não fosse a intervenção de Deus. Os egípcios eram no máximo 5 milhões por isso temiam tanto os judeus, se um povo inimigo se confrontasse com o Egito e tivesse o apoio dos escravos judeus, poderia causar um grande estrago no Egito.
Com a matança das crianças, o povo começa a clamar ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, e Deus responde a eles fazendo nascer uma pessoa. Essa é a forma tradicional de Deus responder ao seu povo, e Moisés foi esse homem.
Israel tem um problema, nasce Moisés; O mundo tem um problema, nasce Jesus. Deus resolve nossos problemas com pessoas, mostrando que Deus é um ser relacional e interpessoal e não abre mão disso.
Quando Moisés nasce, a mãe o protege porque a ordem era matar os meninos logo após o nascimento, porém as parteiras israelitas temem a Deus e preservam o menino. Ele foi escondido o maior tempo possível, porém o seu choro poderia denunciá-los, por isso sua mãe traçou um plano de colocá-lo num cesto de vime impermeabilizado com betume lançando-o no rio pela manhã, porque é costume dos egípcios tomarem banhos cerimoniais nesse período. A filha de Faraó achou o cesto e se encantou pelo menino e o adotou, Miriã, que já era esperta desde aquela época, veio avisar que havia uma mulher que poderia ser a mãe de leite dele. E a própria mãe de Moisés é contratada para amamentá-lo até 3 ou 4 anos de idade, quando então ele seria separado de sua mãe e criado pela filha de Faraó.
Deus levanta Moisés como uma figura messiânica. Ele vai ser educado na escola dos nobres; ser educado no Egito significa aprender matemática, astronomia, medicina e construção, esses ensinos começavam desde pequeno até a idade de 40 anos, dependendo do interesse da pessoa.
O Faraó tinha duas características, a primeira era ser egípcio nato, a segunda tinha que se casar com sua irmã de sangue, dessa forma Moisés jamais poderia alcançar esse cargo.
Depois de todo o conhecimento recebido, Moisés estava preparado para ser governante do Egito, ele descobre que não é egípcio e sim judeu. Quando ele vê o estado lastimável do seu povo, procura uma maneira de defender os judeus, ele se sente como um protetor de Israel, nessa tentativa de proteção ele encontra um judeu sendo maltratado por um egípcio, ele entra em confronto e o mata. Como a maioria das pessoas, Moisés pensou que enterrando o cadáver, ninguém ficaria sabendo. A verdade é que não se consegue esconder um acontecimento dessa seriedade. No dia seguinte, Moisés viu dois judeus brigando, e ao interceder um deles pergunta: “vai me matar como fez com o egípcio ontem?”. A essa altura, os capatazes de Israel também já estavam sabendo, conseqüentemente, Faraó também, logo Moisés seria morto, não por matar um egípcio, mas por matar um egípcio para defender um judeu.
Moisés então foge para Mídiã, ali encontra as filhas de Reuel, também chamado Jetro, que estão cuidando do rebanho do pai. Por serem mulheres, são enxotadas pelos pastores do local, mas Moisés as defende e dá água para o rebanho delas. Quando o pai delas fica sabendo disso chama Moisés para que fique com eles. Moisés se casa com Zípora a filha de Jetro, que gerou dois filhos. Moisés acaba vivendo um novo tipo de vida, diferente de tudo o que ele conhecia, e se tornou um pastor de ovelhas, aprendendo a paciência de tal forma que se tornou o homem mais manso daqueles dias. Ele agora vai passar 40 anos sendo treinado em outra escola, num processo de reeducação, e o ministério de Moisés começa quando ele está com 80 anos.
Todo esse processo a bíblia narra como sendo o mundo comum do herói – nesse caso, Moisés. Nesse mundo comum, Moisés passa por 2 ambientes contrários: a vida da cidade, como um homem de negócios, estudante das ciências e futuro político; e a vida no interior, pacata, como pastor de ovelhas e pai de uma família. Nesse processo de câmbio de culturas a bíblia dá início à narrativa d'O Chamado para a Aventura, onde o herói é convidado a se retirar de seu mundo comum para dar início a sua jornada ao desconhecido. Na próxima postagem falaremos sobre esse Chamado para a Aventura.
Abraços!
O Mundo Comum
A maioria esmagadora das histórias leva o seu personagem, em geral retratado como um personagem comum ao cenário em que ele vive, para fora do seu cenário, lugar comum e cotidiano, em chamado a uma direção estranha , especial e nova.
Para trazer o personagem para fora de seu mundo comum, geralmente o autor descreve como é a sociedade, os costumes, hábitos de alimentação, trabalho, entre outros. Embora isso não seja uma regra nas narrativas bíblicas, pode-se encontrar muito da cultura e religião do local no qual o personagem protagonista vive. A partir dessa narrativa do ambiente social em que o personagem se encontra, é possível então trabalhar no próximo passo, que é retirar o protagonista desse cenário, fazendo assim com que haja um contraste nítido entre o ordinário e o especial. Em Guerra nas Estrelas temos Luke Skywalker, em sua fazenda pacífica, levando uma vida pacata cheia de tédio antes de embarcar em sua aventura contra o Império Galáctico.
Na bíblia, encontramos um fato interessante que narra o mundo na qual Moisés iria se levantar. Israel é apresentado debaixo de opressão, depois de falar de sua entrada no Egito e daqueles que entraram com Jacó (1:1). O capítulo 1 de Êxodo, verso 8, fala de um rei que não conheceu José, o que significa que era um rei que não tinha aliança com José nem com os judeus. Uma nova dinastia se levantou, uma nova família sobe ao trono, e Israel que era aliançado com a outra família que perdeu o poder, perde também a sua liberdade.
O crescimento dos judeus era algo a se notar. Quando entraram havia cerca de 70 pessoas, e quando saíram do Egito 400 anos depois eram pelo menos 2 milhões de judeus. O milagre não está em passar de 70 para 2 milhões e sim na sobrevivência deles.
A mortalidade infantil e as mortes por guerra eram muito grandes, então os judeus não poderiam ter se tornado tão numerosos não fosse a intervenção de Deus. Os egípcios eram no máximo 5 milhões por isso temiam tanto os judeus, se um povo inimigo se confrontasse com o Egito e tivesse o apoio dos escravos judeus, poderia causar um grande estrago no Egito.
Com a matança das crianças, o povo começa a clamar ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, e Deus responde a eles fazendo nascer uma pessoa. Essa é a forma tradicional de Deus responder ao seu povo, e Moisés foi esse homem.
Israel tem um problema, nasce Moisés; O mundo tem um problema, nasce Jesus. Deus resolve nossos problemas com pessoas, mostrando que Deus é um ser relacional e interpessoal e não abre mão disso.
Quando Moisés nasce, a mãe o protege porque a ordem era matar os meninos logo após o nascimento, porém as parteiras israelitas temem a Deus e preservam o menino. Ele foi escondido o maior tempo possível, porém o seu choro poderia denunciá-los, por isso sua mãe traçou um plano de colocá-lo num cesto de vime impermeabilizado com betume lançando-o no rio pela manhã, porque é costume dos egípcios tomarem banhos cerimoniais nesse período. A filha de Faraó achou o cesto e se encantou pelo menino e o adotou, Miriã, que já era esperta desde aquela época, veio avisar que havia uma mulher que poderia ser a mãe de leite dele. E a própria mãe de Moisés é contratada para amamentá-lo até 3 ou 4 anos de idade, quando então ele seria separado de sua mãe e criado pela filha de Faraó.
Deus levanta Moisés como uma figura messiânica. Ele vai ser educado na escola dos nobres; ser educado no Egito significa aprender matemática, astronomia, medicina e construção, esses ensinos começavam desde pequeno até a idade de 40 anos, dependendo do interesse da pessoa.
O Faraó tinha duas características, a primeira era ser egípcio nato, a segunda tinha que se casar com sua irmã de sangue, dessa forma Moisés jamais poderia alcançar esse cargo.
Depois de todo o conhecimento recebido, Moisés estava preparado para ser governante do Egito, ele descobre que não é egípcio e sim judeu. Quando ele vê o estado lastimável do seu povo, procura uma maneira de defender os judeus, ele se sente como um protetor de Israel, nessa tentativa de proteção ele encontra um judeu sendo maltratado por um egípcio, ele entra em confronto e o mata. Como a maioria das pessoas, Moisés pensou que enterrando o cadáver, ninguém ficaria sabendo. A verdade é que não se consegue esconder um acontecimento dessa seriedade. No dia seguinte, Moisés viu dois judeus brigando, e ao interceder um deles pergunta: “vai me matar como fez com o egípcio ontem?”. A essa altura, os capatazes de Israel também já estavam sabendo, conseqüentemente, Faraó também, logo Moisés seria morto, não por matar um egípcio, mas por matar um egípcio para defender um judeu.
Moisés então foge para Mídiã, ali encontra as filhas de Reuel, também chamado Jetro, que estão cuidando do rebanho do pai. Por serem mulheres, são enxotadas pelos pastores do local, mas Moisés as defende e dá água para o rebanho delas. Quando o pai delas fica sabendo disso chama Moisés para que fique com eles. Moisés se casa com Zípora a filha de Jetro, que gerou dois filhos. Moisés acaba vivendo um novo tipo de vida, diferente de tudo o que ele conhecia, e se tornou um pastor de ovelhas, aprendendo a paciência de tal forma que se tornou o homem mais manso daqueles dias. Ele agora vai passar 40 anos sendo treinado em outra escola, num processo de reeducação, e o ministério de Moisés começa quando ele está com 80 anos.
Todo esse processo a bíblia narra como sendo o mundo comum do herói – nesse caso, Moisés. Nesse mundo comum, Moisés passa por 2 ambientes contrários: a vida da cidade, como um homem de negócios, estudante das ciências e futuro político; e a vida no interior, pacata, como pastor de ovelhas e pai de uma família. Nesse processo de câmbio de culturas a bíblia dá início à narrativa d'O Chamado para a Aventura, onde o herói é convidado a se retirar de seu mundo comum para dar início a sua jornada ao desconhecido. Na próxima postagem falaremos sobre esse Chamado para a Aventura.
Abraços!
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